Governo brasileiro pretende romper acordo de importação com o México

O desequilíbrio recente na balanca comercial brasileira abriu os olhos do governo para as importações mexicanas de veículos. Acoado pelo recorde de déficit este ano, a administração federal começou a discutir a possibilidade de romper unilateralmente o acordo de 2002, que isenta de IPI os carros fabricados no México, e assim ganhar fôlego nas contas.

De certa maneira, essa discussão toda mostra que a política industrial brasileira tem sido negligenciada. Na medida em que são firmados acordos de livre comércio com outros países, é necessário aumentar a produtividade, desobstruindo os entraves burocráticos que encarecem a produção, para que seja possível concorrer de igual para igual com a indústria estrangeira. A estrutura de impostos no Brasil encarece os carros, principalmente no mercado interno. Não é incomum saber de carros daqui vendidos no exterior terem preços maiores que os praticados domesticamente.

É o tipo de medida que não beneficia as montadoras, que preferem produzir lá. Por outro lado, isso pode aumentar a produção local, ao mesmo tempo em que se aumenta o valor dos já caríssimos carros vendidos aqui.

Fonte: Folha de São Paulo

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Meu primeiro carro – Fusca

Meu primeiro carro foi um Fusca. Não era exatamente meu, já que era de minha avó, apesar de ela nunca ter planejado dirigir qualquer coisa movida à gasolina na vida. Mas vou escrever como se fosse meu mesmo, para facilitar nosso papo.

Comprado por dois mil reais de um colega da empresa onde ela trabalhava, foi um carro que quebrou muito o meu galho em diversas situações, além de ser uma fonte praticamente inesgotável de diversão para um garoto de 21 anos. Era um Fusca 69, branco, muito bem conservado, com um rádio que bem provavelmente era o original.

Eu havia sido aprovado no teste de direção após 3 tentativas frustradas por conta da minha dificuldade em, respectivamente, manter o carro sem morrer, usar corretamente o freio de mão nas subidas, e fazer baliza. Resisti bravamente à tentação de dirigir o carro sem carta. Para falar a verdade, eu tinha, na época, uma paciência que hoje considero gregoriana. Minha mãe havia se habilitado algumas semanas antes de mim, depois de apenas duas reprovações. Então ela começou a dirigir pouco tempo antes de mim. Isso não fez com que ela se tornasse uma ás no volante. Durante muito tempo ela continuou sem trocar marchas deixando o motor trabalhar em altíssimas rotações, além de ser uma motorista monofaixa, incapaz de mudar para a esquerda ou para a direita se houvesse qualquer carro a menos de vinte metros de distância. Acredite: isso torna a vida muito mais difícil.

Minha primeira viagem para São Paulo foi uma aventura. Eu precisava ir a um mercado em Pinheiros onde realizaria um trabalho. Estacionar naquela região é terrível, pois não há espaços livres em nenhuma rua. Ao encontrar um lugar adequado, manobrei manobrando de maneira terrível, e, nervoso por causa das buzinas das dezenas de outros carros, acabei batendo em um poste enquando tentava colocar o carro na vaga. Por sorte não causei danos a algum ser vivo que passasse por ali no momento. É óbvio que eu levei uma bronca de minha mãe quando cheguei em casa. Mas a revanche não tardaria; no mesmo dia, uma ou duas horas depois, ao tirar o carro da garagem, ela bateu o carro no poste da garagem, deixando uma marca simétrica no paralamas do Fusca. Quem disse que nunca podemos ir à forra?

Aquele carro tinha um segredo. Uma rosca que ficava sob o banco do passageiro, que cortava a energia do carro quando afrouxada. Ao emprestar o carro para uma amiga, na época, não achei necessário contar a ela como funcionava. Meia hora depois eu a vejo chegando onde eu a esperava dizendo que o carro havia parado e que alguns hippies estavam tentando ajudá-la a fazer o carro voltar a funcionar.

Começar a dirigir pode ensinar várias coisas. Em minha primeira viagem na Anchieta, para visitar um amigo, notamos que algo cheirando a queimado preenchia o ar dentro do Fusca. Depois de levantar inúmeras hipóteses, olhei uma luz que eu não lembrava estar acesa no painel. Alguém pode me explicar porque o Fusca andava com o freio de mão puxado? Depois de baixá-lo, o rendimento do carro aumentou consideravelmente, a ponto de eu conseguir passar dos 60 por hora com uma facilidade enorme.

Alguns meses depois, minha tia resolveu vender seu Gol bolinha, e minha avó considerou que já estava na hora de fazer a troca. Infelizmente, a hora do Fusca havia chegado. Eu costumava dizer que um Fusca é mais que um carro, é um membro da família. Ter deixado que ele se fosse deixaria marcas indeléveis em meu coração, não fosse termos o vendido a um vizinho que morava no mesmo condomínio. Saber que o Fusquinha estava lá deu tempo suficiente para que eu me acostumasse à vida boa que aquele Gol 96 proporcionaria.

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Mensagem inaugural

Prazer em conhecê-lo. E obrigado por fazer parte deste comecinho de jornada aqui no V16.  Estamos colocando o pé na estrada e a adrenalina começa a circular pelo corpo. Não é isso que a visão de um carro em uma pista nos faz sentir?

Queremos fazer com que você se torne informado a respeito do que acontece no mundo das quatro rodas. Se você tem um carro, queremos ajudá-lo a cuidar melhorar dele. Se você ainda não tem um carro, mas quer comprar, vamos ajudá-lo a escolher um que seja a sua cara e seu bolso. Se você não quer dirigir um carro, vamos mostrar como ele é onipresente e faz parte de sua vida mesmo sem você perceber.

Esperamos que esta seja apenas a nossa primeira conversa. Quando escrevo conversa, eu imagino uma rua de duas mãos: nós escrevemos, você lê; você escreve, nós lemos. Aos poucos, você nos conhecerá, e queremos conhecer você também. Sua participação é muito importante para sabermos se nossa estrada vai na direção correta.

E agora, vamos acelerar porque precisamos cortar a fita de inauguração!

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